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ANÁLISE DE PROBABILIDADE

ANO XIV - Nº 007/14 -

ANÁLISE PORMENORIZADA

Quem se dispõe a fazer uma análise mais pormenorizada, com o propósito de saber se desta vez a recuperação que a economia brasileira está mostrando se dará por prazo maior do que nas tentativas anteriores (todas frustrantes, infelizmente), certamente perceberá que a probabilidade de sucesso é muito pequena.

INTRANSPONÍVEIS

Sem qualquer interesse e/ou propósito de agradar os mais otimistas ou querer destratar os pessimistas, o fato é que, sem ilusões, tudo aquilo que pode dar certo, ou seja, que oferece condições realmente efetivas de um crescimento duradouro e consistente, tem pela frente enormes e fortíssimas resistências. Algumas, inclusive, pela forma como foram blindadas pela Constituição, são consideradas como INTRANSPONÍVEIS.

DIFICULDADES

Aliás, quem observa o que acontece com as REFORMAS (Previdenciária, Política, Tributária, Fiscal, Trabalhista, etc.) já chegou à conclusão do quanto são imensas estas dificuldades. No longo percurso que os projetos são obrigados a percorrer, nas mais diversas Comissões da Câmara e do Senado, ao invés de ganharem aperfeiçoamentos do tipo que proponham um efetivo crescimento econômico de longo prazo, o que se vê é uma brutal e constante mutilação das propostas. A ponto de, na maioria das vezes, tornar pior o que já era ruim.

EQUILÍBRIO FISCAL

Mais: nem mesmo as constantes revelações feitas pelo Banco Central e Tesouro Nacional, mostrando o avanço descontrolado do DÉFICIT DAS CONTAS PÚBLICAS, conseguem amolecer os corações e as almas do enorme contingente de resistentes. Algo simplesmente incrível. A propósito: alguns chegam ao ponto de afirmar que as duas Previdências (que produzem os maiores e injustos ROMBOS) não são deficitárias. Pode?

CRESCIMENTO ZERO

Como as principais DESPESAS PÚBLICAS, que têm elevado e decisivo peso no Orçamento, só podem ser reduzidas por força de lei constitucional (2/3 de aprovação na Câmara e no Senado, em duas sessões) é preciso que os OTIMISTAS (mais esperançosos) comecem a pressionar os deputados e senadores que se colocam costumeiramente contra as REFORMAS. Digam a eles que o bom para o Brasil não é ser um país cheio de injustiça social e crescimento zero.

PROBABILIDADE NULA

A conclusão da análise é simples, apesar de lamentável: por ora, o que realmente pode contribuir para que tudo dê certo se mostra extremamente inferior a tudo aquilo que muitos  representantes do povo querem e decidem a todo o momento. Como o povo brasileiro é, culturalmente, tolerante e desinteressado, a probabilidade de que o Brasil venha a mostrar crescimento econômico por prazo longo, infelizmente, é praticamente NULA. Lamentavelmente NULA!

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MARKET PLACE

  • STF NO TEMPO

    Para quem não sabe, eis aí quem e quando dos atuais ministros ocupará a presidência do STF:  

    12/09/16 a 12/09/18 – Carmen Lúcia
    12/09/18 a 12/09/20 – Dias Toffoli
    12/09/20 a 12/09/22 – Luiz Fux
    12/09/22 a 02/10/23 – Rosa Weber (data em que completa 75 anos e constitucionalmente terá que pendurar a toga)
    02/10/23 a 02/10/25 – Luis Roberto Barroso
    02/10/25 a 02/10/27 – Luiz Fachin
    02/10/27 a 02/10/29 – Alexandre de Moraes.

    Detalhe: exceto Alexandre de Moraes, os demais foram nomeados pela dupla Lula/Dilma. Que tal?

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o artigo produzido pelo pensador Rodrigo Constantino, com o título - O PAÍS DA MEIA-ENTRADA: A ABERRAÇÃO ECONÔMICA DO CRÉDITO SUBSIDIADO:

    O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 3.048,0 bilhões em setembro, registrando estabilidade no mês e recuo de 2,0% em doze meses. O crédito a pessoas físicas totalizou R$ 1.616,0 bilhões (+0,2% no mês e +4,7% em doze meses). A carteira de pessoas jurídicas somou R$ 1.432,0 bilhões, com retrações de 0,4% e 8,7% nos mesmos períodos. A relação crédito/PIB situou-se em 47,0% (50,2% em setembro de 2016).

    Quem traz as informações é o professor Ricardo Bergamini. Ele também mostra a divisão entre crédito público e privado:

    50,20% do total – R$ 1.530,0 bilhões com recursos livres com juro médio de 35,9% ao ano.

    – 49,80% do total – R$ 1.518,0 bilhões com recursos direcionados concedidos por bancos públicos (Caixa, BB, BNDES) com juro médio de 8,9% ao ano.

    Ou seja, metade de todo o crédito nacional está nas mãos do governo, o maior banqueiro de todos (irônico a esquerda odiar tanto os banqueiros e adorar o estado, não?). Em O Manifesto Comunista, Marx e Engels elencam medidas necessárias para o socialismo, e o quinto item é justamente “concentrar o crédito no estado”. O Brasil é ótimo aluno marxista!

    Bergamini diz: “Não há a menor dúvida que esse mecanismo de juro especial para os amigos e aliados dos governantes de plantão é uma fonte primária de corrupção e de propina. Alguém tem dúvida?” Não, ninguém sério pode ter dúvida. As grandes empresas preferem “investir” em lobby para cair nas graças do governante, já que ser um “amigo do rei” tem mais valor do que ser eficiente e produtivo.

    Como alguns economistas têm comentado, somos o país da meia-entrada, e isso vale para quase tudo. Não só a carteirinha da UNE, como transporte e tantas outras regalias em que um grupo recebe privilégios, enquanto a maioria restante paga a conta. Para comentar essa aberração e excrescência econômica Bergamini recorre ao mestre Roberto Campos:

    Eliminando o crédito subvencionado, descobriríamos o milagre aritmético da média: os juros tenderiam a baixar pela diminuição da procura e pela mudança de expectativa! E o mercado bancário se tornaria mais competitivo, pois os bancos não mais precisariam ser racionados, dado que o governo poderia melhor controlar a base monetária, e cessaria de pressionar o mercado financeiro que reflete fielmente o excesso de demanda de recursos por parte do setor público, quer federal quer estadual.

    Mas imagino que a explicação lógica e elementar acima seja “grego” para leigos, para os analfabetos funcionais que saem de nossas universidades sem sequer saber matemática básica, muito menos finanças. É capaz de muitos olharem a divisão de crédito e taxas acima e concluir o oposto da verdade: ora, se todo o crédito fosse público, então as taxas cairiam para todo mundo!

    Elementar, meu caro Watson. Análogo a dizer que se todos tivessem a meia-entrada, os ingressos custariam a metade do preço sempre. Com “gênios” assim, que pululam em nossas universidades de economia, alguns com doutorado, corremos pouco risco de dar certo mesmo…

     

FRASE DO DIA

O sucesso não depende dos sonhos, mas do empenho para transformá-los em realidade.

Lúcia Pedroso