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AMADORISMO X PROFISSIONALISMO

ANO XIV - Nº 007/14 -

MELHOR AVALIADO

Como o editorial de ontem, que levou o título -MENTIRAS EM PROFUSÃO-, rendeu reações acima do esperado resolvi voltar ao tema. As manifestações, independente do ponto de vista de cada um, deixam claro que o papel atual da imprensa mundial, e, por consequência dos profissionais do jornalismo, passou a ser melhor avaliado e bastante questionado no mercado de notícias e acontecimentos.

REALIDADE

A conclusão que tirei, sem qualquer precipitação, é que, da mesma forma como já acontece em várias outras atividades, no jornalismo também se faz presente, ou seja, o BOM AMADORISMO está ganhando enorme espaço frente ao MAU PROFISSIONALISMO. Esta é, gostem ou não, queiram ou não, a realidade.

LIVRE CONCORRÊNCIA

Antes que algum leitor resolva jogar pedras na realidade, insisto: isto não significa, em hipótese alguma, que os PROFISSIONAIS da Mídia vão sumir do mapa da Comunicação. Nada disso. Como acontece em todas as atividades livres, a concorrência trata de selecionar que tipo de PROFISSIONAIS vão continuar no mercado.

 

TEMPO SOMADO AO CUSTO

Antes de tudo, mais do que transparente, o JORNAL DIGITAL já deixou para trás (faz tempo) o velho e arcaico JORNAL IMPRESSO. Trata-se, simplesmente, do FIM DO MONOPÓLIO DA MÍDIA. Tudo por conta da VELOCIDADE E DA INSTANTANEIDADE, pois enquanto uma notícia ou acontecimento é entregue -no ato- pela forma DIGITAL, na forma IMPRESSA isto só é possível no dia seguinte.

Mais: além de velhas, o CUSTO da informação fica absurdo, pois além do elevado gasto com a IMPRESSÃO há o brutal gasto de entrega dos jornais IMPRESSOS. 

LIBERDADE

Como se vê, o que não faltam são motivos para o crescimento vertiginoso do JORNALISMO AMADOR. Com os meios tecnológicos atuais, que estão aí disponíveis para todos, qualquer um pode, e vem fazendo, o papel de jornalista, ao publicar tudo que viu ou entendeu. São os AMADORES que mais filmam, gravam, fotografam e opinam, com total liberdade e com  muito  mais velocidade do que os PROFISSIONAIS da mídia. 
 

BONS PROFISSIONAIS

De novo: antes que seja mal interpretado deixo claro que não estou dizendo, vejam bem, que não existem bons profissionais nas empresas de comunicação. O que estou afirmando, sem qualquer receio, é que o domínio da informação já deixou de ser dos jornais e dos jornalistas . E a cada dia que passa mais isto fica patente e inquestionável.
 

COMMODITIES

Para encerrar: notícia ou acontecimento qualquer já não passam de COMMODITIES. Ganha a preferência quem se mostra mais rápido e correto na divulgação. Principalmente ao emitir OPINIÃO, que precisa ser sustentada pela razão e não pela emoção. E, muito menos, contaminada pela IDEOLOGIA. Coisa, aliás, que mais está presente no JORNALISMO TRADICIONAL e por isto está perdendo credibilidade. 

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MARKET PLACE

  • CEDAE E A MÍDIA

    A mídia brasileira está tentando iludir grande parte de brasileiros ao dizer que a Assembleia do RJ aprovou a PRIVATIZAÇÃO DA CEDAE. Bobagem pura. O que os deputados votaram foi a POSSIBILIDADE de isto vir a acontecer. Como muita água vai rolar embaixo desta ponte, VEJO TUDO COM MUITA DESCONFIANÇA.

  • A MISÉRIA DO DEBATE SOBRE A PRIVATIZAÇÃO

    Eis aí um trecho do artigo escrito pelo pensador Fernando Schuler, com o título -A MISÉRIA DO DEBATE SOBRE A PRIVATIZAÇÃO, que está publicado na revista Época desta semana:

    O que impressiona, no debate carioca, é o tom. A exaltação. O evidente conflito de interesses envolvido na discussão. Tudo isso, alguém poderia dizer, é previsível em um debate envolvendo a privatização de uma empresa pública. Não acho. Uma boa democracia precisa saber separar a lógica dos grupos de pressão do interesse difuso dos cidadãos. A conversa fiada ideológica da argumentação racional.

    Leio um artigo do deputado Marcelo Freixo dizendo que a Cedae “vale entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões” e que os membros do governo estadual dizem valer R$ 4 bilhões. Na contabilidade do deputado, a companhia, com seu bilionário passivo trabalhista, situa-se entre as 40 ou 50 empresas mais valiosas do país. O dado mais curioso, porém, é uma empresa possuir um valor “teórico” distinto do que alguém esteja efetivamente disposto a pagar por ela numa concorrência pública.

    Alguém poderia explicar ao deputado Freixo que preços se definem no mercado. É por isso que se fazem leilões para vender uma empresa estatal, e o melhor a fazer é exigir o máximo de transparência nesses processos.

    O argumento mais esquisito que li veio inspirado pelo papa Francisco. O sujeito citava a encíclica Laudato si e chegava à surpreendente tese segundo a qual, sendo o acesso à água um “direito humano essencial, fundamental e universal”, a Cedae não pode ser privatizada. Inútil lembrar que, por esse argumento, também o acesso à comida não poderia ser “submetido às leis do mercado”. Mais esquisita ainda é a ideia ainda presente em nosso debate público, segundo a qual o que é “essencial” deve ser “público”, e o que é público deve ser “estatal”.

    Para além da retórica ideológica, há boas razões para ter cuidado com o tema da privatização de serviços de água e saneamento. Os críticos do modelo partem do fato de que sistemas de água e saneamento são monopólios naturais e, nessa condição, exigem muito investimento, não permitem concorrência e carregam um amplo leque de obrigações sociais e ambientais. Logo, deveriam ser administrados pelo governo. Empresas privadas tenderão a encontrar brechas na legislação para investir menos em áreas mais pobres, desconsiderar efeitos negativos de sua atividade sobre o meio ambiente e, pior, tenderão a usar seu poder econômico para “capturar” seus reguladores, estejam eles no governo ou em agências independentes.

FRASE DO DIA

Temos aversão não apenas por coisas que sabemos nos terem causado dano, mas também por aquelas que não sabemos que danos podem causar.

Thomas Hobbes