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A REALIDADE DO CRÉDITO

ANO XIV - Nº 007/14 -

DILEMA

Um dilema que mexe com as cabeças dos consumidores do mundo todo é a decisão de GOZAR HOJE E PAGAR AMANHÃ; ou, PAGAR HOJE E GOZAR AMANHÃ.Entretanto, diante do apelo do ofertante, o consumidor muitas vezes se deixa dominar. Alguns, pelo impulso e/ou pela impaciência. Outros, até pela necessidade imediata.

REAÇÃO

No caso dos impacientes, que não admitem esperar, a maioria só tem como saída a compra a crédito. Já os menos apressados, que preferem ficar longe do endividamento, têm consciência de que a satisfação de suas necessidades depende de uma prévia formação de poupança.

SOMOS CONSUMIDORES

Analisando o país à luz da TAXA DE POUPANÇA, que oscila entre 17% e 18% há muitos anos, a conclusão (matemática) é simples: os brasileiros estão muito mais para CONSUMIDORES do que para POUPADORES.

SEM SACRIFÍCIOS

Não há portanto, como discordar do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, que, em entrevista concedida à revista Isto É Dinheiro, disse que o brasileiro não gosta de vida de muitos sacrifícios. Tudo porque o Estado garante uma cobertura social que permite uma vida um pouco mais folgada que a de outras sociedades.Para comparar, Barros fez referência à China e à Coréia, cujas taxas de poupança são extremamente altas (40% e 35%, respectivamente).

RISCO

Ora, tomando por base a realidade dos números acima, qualquer exagero cometido na concessão de crédito, independente do preço do juro cobrado, aumenta, na mesma proporção o risco de inadimplência. Portanto, quanto maior o calote, mais caras ficam as taxas de juros.

JUROS ALTOS

Os meios de comunicação parecem não entender a lógica de mercado. Nos últimos dias tenho ouvido muitas reclamações de que enquanto o governo propõe a redução da Selic, os bancos, financeiras e administradoras de cartões de crédito mantém as taxas nas alturas e/ou subindo.

COMPARAÇÃO

Para mostrar que as nossas taxas são as maiores do mundo, os meios de comunicação fazem comparações com outros países. Não levam em conta, porém: 1- que a nossa taxa de poupança é muito baixa; 2- que a renda do brasileiro em relação ao crédito obtido é muito baixa; e 3- que os cartões de crédito bancam o risco junto aos lojistas. Isto sem falar na carga tributária, que é cobrada sobre os valores acrescidos pelos juros.

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MARKET PLACE

  • DÉFICIT
    Em junho, o Brasil registrou déficit em transações correntes de 4,419 bilhões de dólares, segundo informa o Banco Central.
  • VENDA A DESCOBERTO
    As autoridades reguladoras dos mercados de capitais na Itália e na Espanha (a CVM deles) proibiram a venda de ações a descoberto. No caso espanhol, o órgão conhecido pelas iniciais CNMV vetou a venda de ações a descoberto por três meses a partir de ontem. Já no caso italiano, a instituição conhecida pela sigla Consob proibiu a venda a descoberto de ações de bancos e de seguradoras no mercado da Itália por toda a semana.
  • TOMATE
    Nos últimos dias, muitos consumidores foram surpreendidos pela rápida escalada do preço do tomate, que saltou de R$ 1,50 para quase R$ 5,00 o kg (233% de aumento entre junho e julho). Apesar da ampla variedade de alimentos in natura, a preferência por esse fruto reduz a possibilidade do consumidor substituí-lo e driblar essa alta de preços.
  • RATING
    A Moody?s reduziu a perspectiva das notas soberanas AAA da Alemanha, Holanda e Luxemburgo de estável para negativa. Tudo porque é dominante a incerteza quanto à dívida dos países europeus.

FRASE DO DIA

NÃO HÁ ROUBO. TUDO SE PAGA.

N. Bonaparte