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A CAMINHO DA GRÉCIA

ANO XIV - Nº 007/14 -

MUITO PARECIDO

Quando afirmo que o Brasil está ficando muito parecido com a Grécia, ou mesmo com os demais países da Europa que estão em sérias dificuldades, não são poucos aqueles que me chamam de equivocado e que nada disso é verdade.

SEM TRÉGUA

Pois, ainda que estejamos no tradicional período da trégua natalina, momento em que esses assuntos são deixados de lado, não posso ficar calado. Chamo a atenção, portanto, uma vez que a nossa situação está se agravando pelo lado do custo público, em todos os seus níveis.

BENEFÍCIOS PÚBLICOS

O que, realmente, faz com que o Brasil fique parecidíssimo com a Grécia, é que a elevação descomunal dos benefícios que vem sendo concedidos aos servidores públicos nos últimos anos. Com um detalhe: depois de sacramentados não tem mais volta, ou seja, se a economia recuar, o direito está garantido e a conta precisa ser paga.

REPETIÇÃO

Como muita gente ainda está festejando a boa situação do Brasil na economia mundial, nada mais importante do que a repetição constante do tema para que ninguém diga, logo mais à frente, que foi pego de surpresa, ou que não sabia...

TUDO SAI DOS IMPOSTOS

Como bem escreveu Ricardo Galuppo, Publisher do Brasil Econômico, na edição de ontem daquele jornal, que em nada difere daquilo que já venho escancarando há muito tempo, não existe mágica: benefícios públicos são pagos com dinheiro público. Quando os benefícios tornam-se maiores do que a capacidade de arrecadação do Estado, só há duas saídas:A primeira é elevar os impostos (no Brasil são altíssimos; a segunda é reduzir os gastos (o que significa, em última instância, o corte de benefícios). Atenção: os recursos para cobrir a conta saem de uma única fonte: os impostos.

GRÉCIA E BRASIL

Se a carga tributária da Grécia é menor do que a nossa, a despesa, por ser simplesmente fantástica, levou aquele velho país à falência. No Brasil, mesmo elevando cada vez mais a carga tributária, para poder enfrentar os elevados gastos públicos, o déficit público nunca desaparece.

GRAVIDADE EXTRA

No Brasil, como se sabe, a situação ganha uma gravidade extra: a qualidade da educação deixa a desejar; a saúde (direito assegurado pela Constituição), idem; o sistema de aposentadorias é falho para quem trabalha no setor privado; e os salários dos funcionários públicos representam uma conta cada vez mais pesada, que pode colocar TUDO A PERDER antes mesmo que o conjunto dos brasileiros consiga os benefícios de uma sociedade evoluída.

ANOTEM AÍ

Para 2012, várias categorias profissionais apadrinhadas por aliados políticos do governo estão reivindicando não apenas reajustes indecentes, mas cálculos de reajustes salariais que, no limite, jogarão sobre as costas do contribuinte uma carga excessiva, a ponto de obrigar o Estado a eliminar benefícios antes que eles sejam concedidos ao conjunto da população.Os servidores do Judiciário, além dos privilégios já obtidos querem um reajuste vultoso, que pode custar quase R$ 8 bilhões por ano ao contribuinte.Os servidores do Ministério Público Federal querem quase 60% de reajuste salarial - isso sem considerar qualquer critério de produtividade. Reajuste puro e simples.A Receita Federal quer fazer alguns reajustes internos que, na prática, significam conceder a um grupo de servidores benefícios superiores aos que aceitaram ao prestar concurso para a instituição. Isso tudo, gente, sem falar num expediente tão velho quanto cabotino, que vem sendo utilizado nos últimos anos por quem quer tirar mais ainda da população que paga impostos. Trata-se do seguinte: uma determinada categoria consegue uma gratificação que não constava do acordo celebrado na época do concurso que prestou.É o suficiente para que todas as outras tentem conseguir na Justiça o mesmo benefício, sob o argumento surrado de que a ISONOMIA justifica todo e qualquer absurdo.

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MARKET PLACE

  • PESSIMISMO
    O otimismo das famílias gaúchas e as projeções de consumo medidas pela pesquisa Intenção de Consumo das Famílias gaúchas (ICF-RS) teve queda de 9,0% em dezembro, ao atingir 114,4 pontos ? frente aos 125,6 registrados no mês anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior, oportunidade em que o indicador marcou 136,9 pontos. O índice é calculado pela CNC e é divulgado nesta terça-feira (20) pela Fecomércio-RS.
  • RS FALIDO
    Por unanimidade, o pleno do Tribunal de Justiça do Estado do RS julgou inconstitucional a lei de iniciativa do governo que aumentou de 11% para 14% a contribuição previdenciária dos servidores estaduais que recebem salário superior a R$ 3.689,66. Dos 25 membros do órgão, 23 compareceram à sessão desta segunda-feira. Pode? Viva o RS falido.
  • INCONSTITUCIONAL
    A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, em segundo turno, o projeto de emenda à Lei Orgânica do Município que proíbe a nomeação ou a designação, para cargo em comissão ou função de direção, chefia ou assessoramento, nas administrações direta e indireta, de pessoa inelegível em razão de atos ilícitos. Anotem aí: a lei vai ser declarada inconstitucional.
  • DÉFICIT
    As transações correntes do Brasil com outros países geraram um déficit de US$ 6,803 bilhões em novembro, elevando para US$ 45,830 bilhões o saldo negativo acumulado desde o início do ano, segundo números divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.

FRASE DO DIA

UMA SOCIEDADE QUE PRIORIZA A IGUALDADE SOBRE A LIBERDADE TERMINARÁ SEM NENHUMA DELAS. JÁ A SOCIEDADE QUE PRIORIZA A LIBERDADE SOBRE A IGUALDADE OBTERÁ UM ALTO NÍVEL DE IGUALDADE E LIBERDADE.

Milton Friedman