Artigos Anteriores

2014 - O QUE ESTÁ EM JOGO

ANO XIV - Nº 007/14 -

PLEITOS

Eis aí mais um texto do Pensador (PENSAR+!) Professor Paulo Moura, que me parece interessante para ser lido com calma neste fim de semana. Boa Leitura:A eleição de 2014 já começou. Nesse momento os entrevistados escolhem nomes nas enquetes de opinião, mas a maioria dos eleitores não tem o pleito do próximo ano no centro do seu foco.A imprensa, os políticos e os empresários, ao contrário; observam, comentam e especulam: Dilma ou Lula? Aécio ou Serra? Eduardo Campos vai ou desiste? Marina sobrevive ao tiroteio da disputa?

NOMES

O foco desse trio está sempre nos nomes. Conflitos táticos entre os competidores geram manchetes interessantes e especulações para o colunismo de opinião. Políticos sempre buscam a canoa -certa- na qual embarcar. E empresários, na política como nos negócios, estão sempre em busca do investimento -certo-.Até esse momento, no entanto, ninguém parece preocupado com a questão de fundo da eleição de 2014. Qual é a agenda das forças que buscam o poder? Qual é a saída para a situação criada após doze anos de governos petistas?

AUTOCRÍTICA

A agenda do PT está clara e posta. Até o momento nem o PT, nem Lula e nem Dilma parecem inclinados a fazer autocrítica. Salvo prova em contrário, a proposta do PT para o Brasil assenta-se sobre os seguintes alicerces:a) Aprofundar a penetração do partido no Estado e mudar as regras eleitorais e de funcionamento do sistema político para institucionalizar seu projeto ideológico que visa à implantação gradual de medidas de cunho socializante valendo-se da receptividade ao paternalismo estatal dominante na cultura política patrimonialista de todas as nossas camadas sociais, cerceamento da liberdade de imprensa e expressão dos seus críticos;

MAIORIA DO PARLAMENTO

b) Conquistar maioria no Parlamento, reduzir gradualmente o poder dos aliados de esquerda, e eliminar, também gradualmente, os aliados fisiológicos (em especial o PMDB) através de cooptação com cargos públicos e posterior denúncia de envolvimento desses parceiros com corrupção para enfraquecê-los;c) Aprofundar a tática de cooptação de setores sociais pelo Estado através da distribuição seletiva de benefícios econômicos para aliados com vistas a garantir apoio ao projeto de conquista da hegemonia política e cultural para sua perpetuação no poder;

MAIS DO MESMO

d) Mais do mesmo na política econômica -desenvolvimentista- reeditada (Estado empresário ineficiente, intervencionismo e dirigismo estatal da economia, privilégio político e financeiro para os -amigos do rei-, déficit público maquiado, endividamento público, protecionismo e inflação).A agenda que se contrapõe a esta, salvo alguma novidade, pode ser sintetizada em pontos tais como:

AGENDA

a) Defesa do caráter republicano e democrático do Estado, proteção da ordem política constitucional e das regras eleitorais de modo a evitar ameaças às instituições e ao caráter competitivo das eleições; defesa das liberdades individuais e da liberdade de imprensa e expressão; respeito ao calendário eleitoral; defesa de medidas de Reforma Política que restrinjam o fisiologismo e a corrupção a garantam a alternância do poder;

FUNDAMENTOS

b) Reconstrução dos fundamentos do Real (superávit fiscal, câmbio flutuante, metas de inflação) para reconquistar a credibilidade e a previsibilidade da política econômica; redefinição do marco regulatório do petróleo, da energia e das atividades públicas concedidas à iniciativa privada e garantia de atratividade para investidores; despartidarização das agências reguladoras e aperfeiçoamento da legislação para reconstituir sua independência em defesa dos interesses da sociedade perante os prestadores de serviços concedidos; extinção do BNDES; redução de impostos e simplificação do sistema tributário descentralizando o sistema de arrecadação e distribuição das receitas em detrimento da União e em favor e municípios e estados;c) Reforma do Estado para diminuir seu tamanho e aumentar sua eficiência; foco das políticas públicas de melhoria dos serviços de saúde, educação, transporte e segurança; valorização do funcionalismo de carreira e redução do número de cargos em comissão; redução do número de ministérios; extinção de empresas e órgãos estatais; Reforma da Previdência; definição de porta de saída e prazo de validade para programas de renda mínima; redefinição, restrição e extinção gradual do subsídio estatal para atividades culturais e outras mantidas por incentivos fiscais; nova delimitação de políticas de meia-entrada e acesso gratuito a serviços e espetáculos culturais; substituição da política de cotas para acesso à educação por uma política de incentivo ao mérito por desempenho nos estudos, privilegiando o perfil de baixa renda e sem distinção de origem étnica, cobrança de mensalidades para alunos com condições de renda que ingresso em universidades públicas.Mudando-se algum detalhe aqui ou ali, independente de quais sejam os nomes no tabuleiro, o conteúdo da disputa eleitoral de 2014 pela Presidência da República é o conflito entre essas duas agendas. Diante disso, as perguntas são:Como se posicionam em relação a essas agendas os postulantes até agora oferecidos pelos partidos à escolha da sociedade?Quem tem vontade política, coragem e competência para recuperar a agenda perdida e avançar com novas políticas públicas capazes de responder às demandas sociais resumidas na consigna por serviços públicos -padrão FIFA-?Até o momento, segundo revelam as mais recentes pesquisas de opinião, a percepção de que o Brasil está no rumo errado, assim como o desejo de que o país mude, predominam entre os brasileiros. O vento sopra a favor da oposição. Não obstante, a cultura política dominante na mentalidade da nossa população é simpática ao paternalismo estatal e refratária a políticas públicas que visem fortalecer a sociedade e o mercado em detrimento do Estado.Supondo-se que algum dos adversários do PT esteja disposto a abraçar a agenda de oposição, terá ele competência para -vender o peixe- aos brasileiros?

Assine a Newsletter do Ponto Crítico

MARKET PLACE

  • JUBILEU DE PRATA
    No próximo dia 1º de setembro, o sistema de franquias FLORENSE completa 25 anos de história, com sucesso absoluto. Jubileu de prata que comemora uma mudança radical no sistema de distribuição de móveis high-end que se tornou referência de trabalho no mundo inteiro. A atitude pioneira da Florense, ao criar uma rede franqueada, em 1º de setembro de 1988, alicerçou-se na capacidade da empresa de produzir móveis com qualidade acima dos padrões do mercado, dirigidos a um público capaz de reconhecer seu valor. A qualidade dos produtos precisava ser estendida também aos serviços e a consequência natural foi a criação de lojas exclusivas com essa finalidade − a fábrica fornecendo os produtos e as lojas, os serviços especializados que complementam sua qualidade, desde o projeto até a instalação. Um ato de coragem e visão de futuro, cujo sucesso inspirou muitas empresas no Brasil e pelo mundo afora. A rede franqueada Florense já conta com 70 lojas-conceito − 59 no Brasil e 11 no exterior. Envio os meus sinceros parabéns ao Gelson e demais colaboradores.
  • CUSTO ABSURDO
    Segundo estudos feitos pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) houve um aumento considerável nos valores despendidos pelo setor marítimo, que representa 81% de todas as importações e exportações realizadas no País. De 2009 a 2012 o custo portuário total sofreu acréscimo de 27,26%, passando de US$ 7,51 bilhões, em 2009, para US$ 9,55 bilhões, no ano passado. O primeiro semestre de 2013 já registra o valor de US$ 4,86 bilhões, equivalente a US$ 15,67 por tonelada. Em 2009, o custo por tonelada era de US$ 14,16, revelando variação de 10,70% durante o período. Que tal?
  • CAIS MAUÁ
    O decantado projeto do Cais Mauá, de Porto Alegre, finalmente foi apresentado ontem na reunião da Câmara Temática de Turismo e Hotelaria. A obra deverá iniciar até o fim do mês de setembro e a expectativa é que os armazéns estejam funcionando até a Copa do Mundo sendo uma opção a mais para os turistas que vierem a Porto Alegre assistir aos jogos. O projeto prevê uma parte comercial com a construção de um shopping center e também uma área de lazer, contrastando o aspecto histórico do centro com a modernidade do projeto.
  • ORLA DO GUAÍBA
    Já o projeto da Orla do Guaíba, que tem uma extensão de aproximadamente 8 km, está passando por uma análise final da prefeitura de forma integrada com o Tribunal de Contas. Tão logo concluído, o processo licitatório deverá iniciar. A primeira parte do projeto, com extensão de 1.320 metros, começará pela Usina do Gasômetro.

FRASE DO DIA

O HOMEM DE TESTA LISA JAMAIS REFLETIU.

N. Bonaparte