PERMANÊNCIA CONDICIONADA

ENTREVISTA DE PAULO GUEDES À VEJA

Hoje cedo, ao ler a entrevista que o ministro Paulo Guedes concedeu à revista Veja, na qual afirma que -SÓ PERMANECE NO CARGO DE MINISTRO DA ECONOMIA- se a REFORMA DA PREVIDÊNCIA for aprovada SEM AS MUTILAÇÕES pretendidas por alguns maus congressistas que simplesmente não querem um Brasil justo e saudável, achei que não poderia ficar alheio ao tema.

SAIR DE CASA GRITANDO

Ora, se algum brasileiro decente, do tipo que realmente está preocupado com a precária situação ECONÔMICA, SOCIAL E FISCAL do nosso empobrecido Brasil, ainda estava em dúvida se deveria ou não ir às ruas neste domingo, ao tomar conhecimento da seguinte afirmação feita por Guedes: - SE SÓ EU QUERO A REFORMA, VOU EMBORA PARA CASA-, imagino que ganhou todos os motivos necessários para sair de casa gritando, sem parar, pedindo justiça e decência.

PARA NÃO CRIAR PROBLEMAS

Guedes foi mais além dizendo -"Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a
reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: 'Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar
problemas, mas não dá para permanecer no cargo'".

ENXERTOS

Como o assunto PREVIDÊNCIA é muito sério, e exatamente por isto já dediquei centenas de editoriais enfatizando a necessidade de REFORMA este PÉSSIMO SISTEMA, que além de extremamente INJUSTO ainda produz ROMBOS FISCAIS CRESCENTES, ao invés de MUTILAÇÕES a PEC DA NOVA PREVIDÊNCIA deveria receber propostas de -ENXERTOS- com a intenção de  aumentar a insatisfatória economia de R$ 1,236 TRILHÃO previstos para os próximos DEZ ANOS para, no mínimo, R$ 2 TRILHÕES. 

POUPANÇA GARANTIDA

Volto a dizer que, movido pelo RACIOCÍNIO LÓGICO e pela LÓGICA DO RACIOCÍNIO, estou absolutamente alinhado com Paulo Guedes quando afirma, constantemente, a necessidade de se preservar a potência fiscal do projeto para que possa ser lançada a transição do regime previdenciário do falido SISTEMA DE REPARTIÇÃO para o saudável  SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO. 

Aliás, na 4ª feira, 22, em palestra no Seminário Previdência, organizado pelo Correio Braziliense, Guedes disse: -"Vou trocar a expressão 'capitalização' por 'poupança garantida'. Os ricos adoram capitalizar e criticam quando propomos capitalização para os pobres. Na poupança garantida o jovem levará os recursos para o futuro".

GRITAR SEM PARAR

Na entrevista à Veja, Guedes escancarou, com total razão, que SE OS PARLAMENTARES APROVAREM UMA REFORMA COM POTÊNCIA FISCAL MENOR QUE R$ 800 BILHÕES EM 10 ANOS (2020-2029) -NÃO HÁ A MENOR POSSIBLIDADE DE LANÇAR UMA NOVA PREVIDÊNCIA. Disse mais: "Estaríamos só remendando a velha. Não adianta dizer que é melhor assim, que assim não machuca ninguém, que é uma mudança levinha, que vai garantir os quatro anos do presidente e a sua eventual reeleição". 

Resumo: se já escrevi muito sobre a INJUSTA PREVIDÊNCIA, neste domingo vou GRITAR SEM PARAR.

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MARKET PLACE

  • ESPAÇO PENSAR+ - 1

    Eis o ótimo e esclarecedor estudo produzido pelo coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Armando Castelar, com o título - BRASIL PERDE TERRENO NA CORRIDA DO PIB PER CAPITA-, o qual foi publicado no jornal Valor Econômico: 

    O Brasil perdeu terreno em relação a outros emergentes nas últimas décadas, distanciando-se do nível de renda dos países desenvolvidos, em vez de se aproximar. Com o baixíssimo crescimento da produtividade, o PIB per capita brasileiro corresponde hoje a pouco mais de um quarto do americano.

    Em 1980, equivalia a quase 40%. Nesse período, o PIB per capita do Chile passou de 27,4% para 41,5% do indicador dos EUA; o da China, de 2,5% para 28,9% e o da Coreia do Sul, de 17,5% para 66%. Os números levam em conta o critério de paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), com base em estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

    Armando Castelar diz que o Brasil está ficando mais pobre em termos relativos, na comparação com outros países. O país fica mais longe dos países de renda alta, como os EUA, em vez de ficar mais próximo. Nesse sentido, é um processo inverso ao desenvolvimento, afirma ele. "É um processo de subdesenvolvimento não em relação a si mesmo, mas em relação ao resto do mundo." O critério de paridade de poder de compra busca eliminar as diferenças de custo de vida, facilitando a comparação entre os países.

    Em 1980, o PIB per capita brasileiro era de US$ 11.372, equivalendo a 39% do americano. Em 2018, era apenas 26% maior do que em 1980. Os US$ 14.359 do ano passado equivalem a 25,8% do PIB per capita dos EUA. No mesmo período, o PIB per capita sul-coreano cresceu 623%, e o chileno, 189%. O indicador americano, mesmo partindo de um nível bem mais alto em 1980, aumentou 91% nesse intervalo.

    O desempenho do PIB per capita brasileiro recente tem sido ainda pior. Nos últimos anos, o país sofreu uma gravíssima recessão, que durou do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, e a economia cresceu apenas 1,1% em 2017 e também em 2018. Depois de bater no pico de US$ 15.562 em 2014, o PIB per capita do Brasil recuou nos três anos seguintes, ficando praticamente estável no ano passado, quando subiu 0,4%.

    Como o Brasil tem nível de renda bastante inferior ao de países desenvolvidos, o país não deveria ter dificuldade em ganhar terreno em relação a essas economias, observa o economista Celso Toledo, diretor da LCA Consultores. "Essa é a ideia da convergência, mas o Brasil está ficando mais longe da fronteira [dado por indicadores como o nível do PIB per capita dos EUA, por exemplo]", diz ele.

    Toledo diz que o Brasil é menos competitivo e menos produtivo que muitos outros emergentes, que crescem a um ritmo mais forte. Segundo ele, a economia brasileira é pouco amigável aos negócios, como fica claro pelas características do sistema tributário, marcado por enorme complexidade. Além disso, o país é muito fechado ao comércio exterior e tem uma situação fiscal bem mais complicada do que muitos países de renda média.

    Estudo da McKinsey ilustra bem o mau desempenho da produtividade brasileira na comparação com outros países no período de 1990 a 2018. Nessas quase três décadas, a produtividade do trabalho cresceu apenas 1,3% ao ano no Brasil, bem abaixo dos 3% do Chile, dos 5% da Índia e dos 8,8% da China, de acordo com a consultoria.

    Aumentar o ritmo de expansão da produtividade, como se vê, será essencial para o país conseguir crescer a um ritmo mais expressivo. Isso é ainda mais importante dada a demografia do país. Castelar lembra que o bônus demográfico no Brasil terminou, uma vez que a população em idade de trabalhar passou a crescer a um ritmo inferior ao da população total. Isso significa que se encerrou a fase mais favorável da estrutura etária do país ao crescimento. Acelerar a expansão do PIB dependerá fundamentalmente de o Brasil tornar a economia mais produtiva.

    Para Castelar, um dos principais caminhos para isso é o país aumentar o investimento, tanto público quanto privado. É preciso ajustar as contas públicas, para que o governo possa investir mais, e é necessário melhorar o ambiente de negócios, para que o setor privado fique mais confiante para apostar em projetos de modernização e expansão da capacidade produtiva.

    Castelar chama a atenção para o caso da Coreia do Sul, cujo PIB per capita equivale hoje a dois terços do americano. Há quase quatro décadas, o indicador brasileiro era mais que o dobro do sul-coreano. Nesse período, o país asiático fez maciços investimentos em capital físico e capital humano, lembra ele. Segundo números do FMI, a Coreia do Sul investe o equivalente a 30% do PIB. Em 2018, a taxa de investimento do Brasil foi de apenas 15,8% do PIB.

    O mau desempenho dos alunos brasileiros em testes como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) é um sinal negativo para a trajetória futura do PIB per capita do país. Toledo lembra que os resultados obtidos por estudantes de outros países, como a China e o Vietnã, são muito melhores que os Brasil. "Esse é um dos fatores que vão determinar o crescimento daqui a 20, 25 anos", observa ele. Nesse quadro, o país pode ficar preso na chamada armadilha de renda média. Este é o destino de muitos emergentes que, depois de passar do nível de renda baixa para o de média, não conseguem atingir o estágio de rendimento alto.

    O PIB per capita é muito utilizado para comparar níveis de riqueza entre países, calculado pela divisão do valor do PIB pela população total. O indicador que aparece nesta reportagem é o do critério de paridade do poder de compra, a preços constantes, em dólares de 2011 - o ano-base mais recente usado pelo Programa de Comparação Internacional, em relatório divulgado pelo Banco Mundial em 2014, com uma ampla análise dos dados do PIB por PPP de 199 países.

  • ESPAÇO PENSAR+ - 2

    Eis o texto produzido pelo pensador Roberto Rachewsky -O NOVO MUNDO PODE SER AQUI- : O Novo 

    Paulo Guedes está propondo uma transformação ética inédita na política brasileira com a Nova Previdência.

    A proposta é muito simples:

    - A partir de agora, todo mundo tira a mão do bolso alheio e começa a viver do seu próprio dinheiro.

    Isso é transformador!

    A cleptocracia involuntária a qual os cidadãos estão submetidos, criada pela social-democracia antiética e ignorante de economia, simplesmente acaba.

    O sistema de divisão coercitiva da renda individual para transformá-la num fundo coletivo para o pagamento de pensões e aposentadorias, será banido.

    Isso é fantástico!

    O jovem começa a trabalhar, alimenta, com parte da recompensa que recebe pela criação de valor, uma poupança que lhe acompanhará pela vida inteira, que será acrescida de rendimentos financeiros advindos da aplicação desses recursos para criar ainda mais riqueza.

    Ninguém irá definir quando cada um se aposentará, a escolha será prerrogativa do poupador que terá liberdade para contribuir suficientemente para o seu próprio fundo, para poder decidir quando irá parar de trabalhar.

    Isso mesmo, a Nova Previdência cria um círculo virtuoso de acumulação de capital que permite investimentos no presente e rendimentos correntes em direção ao futuro, para o poupador e para aqueles que estão construindo infraestrutura, bens e serviços que gerarão empregos, lucros e dividendos.

    Um trilhão de reais é o buraco que precisa ser coberto para que saiamos do sistema atual, perverso, imoral e deletério, para migrar em direção à liberdade individual e à propriedade privada.

    Sair do atual sistema de repartição para o de capitalização individual, programada e gerida pela iniciativa privada será, para os brasileiros que ingressarão nesse sistema, uma experiência semelhante àquela que os imigrantes europeus vivenciaram quando chegavam ao porto de Nova Iorque, sob o olhar da estátua da Liberdade, durante o século XIX.

    Eu acredito no poder transformador dessa proposta do Paulo Guedes. Entendo até que ela é mais que necessária, ela é indispensável se quisermos sair do terceiro mundo em direção ao primeiro.

    A Nova Previdência é necessária, é indispensável, mas também é insuficiente para nos colocar definitivamente no primeiro mundo, isso porque a ética que ela incorpora deve ser aplicada também à educação, à saúde, à ciência, à cultura e à infraestrutura, hoje dominadas pelo governo.

    Separar o governo dessas atividades, além de afastar o governo da atividade econômica de um modo geral, é a fórmula mágica para transformar o Brasil noutro país, um país mais livre e mais próspero.

    É por esse Brasil do Paulo Guedes, que eu vou para às ruas.

FRASE DO DIA

Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele. Henry Ford

Henry Ford